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Bloco que homenageia Caetano Veloso faz apresentação na Av. Paulista

 

Publicado em Geral, por Redação em 07/02/2017

Cordão carnavalesco Tarado Ni Você celebrou os 50 anos da Tropicália no túnel entre a Av. Paulista e Av. Dr. Arnaldo, na tarde deste domingo (5).


 

A Banda do bloco Tarado Ni Você, criado em 2014 por um trio de amigos para homenagear o cantor Caetano Veloso, fez um show surpresa na Avenida Paulista, na tarde deste domingo (5).

O grupo reuniu foliões no túnel que liga as avenidas Paulista e Dr. Arnaldo. De acordo com os organizadores, a apresentação foi um esquenta de carnaval em homenagem aos 50 anos da Tropicália – movimento cultural que surgiu em 1967.

No calendário não oficial o desfile do bloco ocorrerá, como de costume, no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no dia 25 fevereiro.

 


Fonte: G1.Globo

 

 


Prefeitura de SP estuda cobrar taxa de blocos de carnaval de fora da cidade

 

Publicado em Geral, por Redação em 01/02/2017


A Prefeitura de São Paulo por meio da Secretaria de Cultura, estuda cobrar taxa para blocos do carnaval de rua radicados fora da cidade. De acordo com a Prefeitura, a proposta será apresentada aos blocos interessados em desfilar pela primeira vez capital paulista no carnaval deste ano e que vão demandar estrutura do município em termos de manutenção, limpeza, segurança e ações de adequação do trânsito.

O valor da taxa vai ser definido por meio de decreto.

Nos últimos anos, blocos carnavalescos principalmente do Rio desfilaram nas ruas de São Paulo, como Sargento Pimenta, Bangalafumenga e Monobloco, além do Bicho Maluco Beleza, do cantor Alceu Valença, oriundo de Olinda, que desfilou em 2016.

Quase 500 blocos de rua fizeram o pré-cadastro para desfilar no carnaval de rua de São Paulo entre 17 de fevereiro e 5 de março.

Fonte: G1.Globo


Exposição em Juiz de Fora relembra fantasias de carnaval .

 

Publicado em Geral, por Redação em 30/01/2017

Réplicas de trajes dos foliões que passavam pelos clubes estão na mostra. A entrada é gratuita; mostra ocorre até o dia 3 de março.


 

Celebrando o carnaval, o Museu de Cultura Popular do Forum da Cultura, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), exibe a mostra "Fantasias de Carnaval". Relembrando os trajes carnavalescos utilizados por foliões, a exposição pode ser visitada até dia 3 de março, de segunda-feira a sexta-feira, das 14h às 18h. A entrada é gratuita.

De acordo como curador do local, José Luiz Ribeiro, foi feito um resgate das fantasias.No século XX, o Brasil trouxe as referências do carnaval de Veneza com os bailes de máscaras. Foi a partir da colônia italiana e depois se tornaram tradição pelos clubes municipais. Quatro de nossas réplicas resgatam essas fantasias, disse Ribeiro.

Os anos de 1950 deslumbraram o Brasil com os concursos de fantasia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do Teatro Glória. A televisão, ainda em preto e branco, mostrava fantasias luxuosas e bem elaboradas usadas por foliões que se tornaram famosos. A mostra faz um mergulho no tempo e resgata um pouco da história do Carnaval por meio de réplicas de trajes que frequentaram clubes juiz-foranos. A mostra tem 24 peças, confeccionadas em diversos tipos de materiais.

Tudo isso pode ser visto na mostra. Fizemos um mergulho nos bailes dos clubes juiz-foranos.  A partir dessas referências, o carnaval de hoje foi criado, com grandes desfiles das escolas de samba e o resgate das marchinhas que fazem parte da música brasileira, complementou José Luiz Ribeiro.

Fonte G1.Globo


Aluguéis para carnaval sofrem queda, mas alto luxo resiste por até R$ 30 mil .

 

Publicado em Geral, por Redação em 24/01/2017

Ao menos 50% dos negócios são afetados por influência da crise, diz Creci. Corretora afirma que crise não afeta unidades de alto padrão em Salvador.
 


A um mês do início do carnaval em Salvador, o mercado de aluguéis por temporada nos circuitos oficiais da festa vive uma instabilidade. A conselheira e diretora de eventos do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), Consuêlo Leal, estima que o cenário esteja afetando ao menos 50% dos negócios. Na contramão da "crise", há corretores de imóveis de alto padrão que relatam contratos de até R$ 30 mil feitos sem dificuldades.

Há 38 anos no mercado imobiliário, Consuêlo Leal conta que a procura por aluguéis de temporada tem enfrentado uma queda progressiva há pelo menos cincos anos.

Entre os fatores que marcam o começo dessa desaceleração estaria a crise enfrentada pela maior economia do mundo. O turista estrangeiro, que vinha muito, parou de vir depois da crise nos Estados Unidos”, argumentou. A corretora acrescenta que a crise enfrentada pela economia nacional agravou esse cenário.

Sobre o carnaval deste ano, Consuêlo conta que os proprietários estão reduzindo vertiginosamente o valor dos aluguéis para poder fechar os negócios. Tem imóvel que no ano passado foi alugado por R$ 7 mil e que o dono já mandou reduzir em 50%, explica.

Em relação à atuação no mercado, a conselheira do Creci acrescenta que de um cenário de 10 imóveis, conseguia, ao menos, alugar seis (60%) no período do carnaval. Neste ano, afirma que a procura não chega a 30%. "Tem alguns aluguéis que são fidelizados e que, normalmente, em agosto já começamos a ser procurados. Nesse ano, essas pessoas não me procuraram, afirmou.

Dona de um apartamento na Ladeira de Barra e outro na Graça, Luana Duarte confirma que a procura caiu esse ano. Até agora, só conseguiu alugar um dos imóveis, quando tradicionalmente já está com os contratos fechados com meses de antecedência.

De fato, a procura diminuiu. Me parece que esse é o cenário para todos, acredita. Os apartamentos alugados por ela variam de R$ 7 mil (Graça) e R$ 14 mil (Barra) por um período de sete a dez dias. O imóvel da Barra já foi negociado.

Contramão da crise
Atuando com imóveis de alto padrão, que têm aluguéis de até R$ 30 mil, a corretora Andréa Bulhões expõe um cenário que vai na contramão da crise.

Ela afirma que a locação de apartamentos mais sofisticados está com o mercado aquecido. "Claro que há imóveis específicos, que tem procura bem maior, principalmente em Ondina. Hoje tem poucas opções de bom padrão, que tenha boa acomodação para todos , explica.

Andreá diz que muitos turistas fazem questão de ficar o próximo possível dos melhores camarotes e, para isso, estão dispostos a pagar preços mais elevados. "A gente tem cobertura para oito pessoas na faixa de R$ 30 mil", exemplifica. Neste cenário, ela conta que de todas as opções que tem de aluguel, 90% dos negócios já estão fechados.

A corretora ainda afirma que alguns clientes têm usado a crise econômica com interesse de reduzir o valor dos aluguéis, mas têm ficado sem imóveis devido à alta procura. "Recebo por dia cerca de oito ligações. A procura não caiu, pelo contrário, festeja.

Fonte: G1.Globo


 


Bar tradicional de Macapá vai ser homenageado em bloco de carnaval.

 

Publicado em Geral, por Redação em 23/01/2017

Por ser um tradicional ponto de encontro dos amantes do carnaval, o Bar do Valdir, no bairro Laguinho, em Macapá, será homenageado em um bloco que vai sair pelas ruas do bairro no dia 27 de fevereiro. O evento conta com apoio da escola de samba Boêmios do Laguinho.

Para Célio Alício, um dos fundadores e vice-presidente do bloco, o bar representa parte da história da capital e é de grande importância para a comunidade.

O bar é ponto de encontro dos boemistas. Lá são comercializadas as fantasias de carnaval, souvenires, CDs, acessórios, entre outros produtos. O local é bastante frequentado pela comunidade”, destacou Célio. O "Bloco do Valdir sai às ruas na segunda-feira de Carnaval, com concentração às 11h em frente ao bar.

Segundo a organização, uma feijoada com rodas de samba e pagode antecipam o arrastão de foliões. O abadá está sendo vendido no valor de R$ 15 e pode ser comprado no Bar do Valdir, localizado na esquina da Rua General Rondon com a avenida General Osório, no bairro Laguinho, na Zona Central de Macapá.

Serviço

Bloco do Valdir
Data: 27 de fevereiro
Concetração: 11h
Local de saída: Bar do Valdir (esquina da Rua General Rondon com a avenida General Osório)
Abadá: R$ 15
Informações: (96) 99115-7696 e 99173-0226

Fonte: G1.Globo


Farol da Barra terá encontro de trios e palco para shows durante carnaval

 

Publicado em Geral, por Redação em 18/01/2017

 

O Farol da Barra terá palco para shows que vão acontecer após os desfiles de blocos durante o Carnaval 2017 em Salvador. Também no Farol, um encontro de trios promete marcar o encerramento da primeira noite da passagem de blocos do Circuito Dodô (Barra/Ondina). Essas foram algumas das novidades anunciadas pela Prefeitura de Salvador em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (17).

Sobre a primeira novidade, que é o palco que será montado no Farol da Barra, o prefeito ACM Neto contou que o espaço deve começar a funcionar na quinta-feira de carnaval, no dia 23 de fevereiro, com shows logo após o desfile de blocos e trios.

“A ideia nossa é estender de fato o carnaval no Farol durante a madrugada. Quando passar o último trio, vamos iniciar shows e apresentações públicas gratuitas”, explicou. Ainda não foram divulgadas as atrações para o palco.

A segunda novidade é o encontro de trios, que também irá ocorrer no Farol da Barra, marcando o primeiro dia de desfile de blocos no Circuito Dodô (Barra-Ondina), na quinta-feira. Também ainda não há atrações confirmadas para o encontro.

"Vamos fazer, para reforçar ainda mais a abertura do carnaval na quinta-feira [quando começa o desfile de blocos no circuito Barra-Ondina], um encontro de trios no Farol da Barra. Antigamente, nós tínhamos o costume do encontro de trios para fechar o carnaval, aqui exatamente na Praça Castro Alves. Agora, nós vamos fazer o contrário. O encontro vai ser para abrir o carnaval", contou o prefeito.

A prefeitura estima que serão investidos R$ 50 milhões no carnaval 2017, envolvendo a iniciativa privada e poder público. “Desses R$ 50 milhões, a prefeitura entra com menos da metade e apenas vinculado aos serviços públicos”, disse ACM Neto.

Uma novidade também divulgada na coletiva é que a decoração monumental do carnaval 2017 irá contar com obras de 15 metros de altura feitas por artistas plásticos baianos: Maria Adair, Tati Moreno, Bel Borba, Alberto Pitta e Eliana Kertész.

As peças irão ficar na Praça Castro Alves, Campo Grande, Barra, Ondina e Rio Vermelho.Sobre as expectativas no turismo, a prefeitura disse que aguarda mais de 750 mil visitantes, um acréscimo de quase 10% em relação ao ano de 2016.

Trios sem cordas

Além das novidades no Farol, o prefeito anunciou que a banda BaianaSystem, a cantora Daniela Mercury e o cantor Moraes Moreira já estão confirmados no carnaval.

BaianaSystem faz show em trio sem cordas no sábado (25 de fevereiro), no pôr do sol da Praça Castro Alves, como também no último trio do circuito Barra-Ondina, na segunda-feira de folia.

Daniela Mercury sai sem cordas em dois dias. No dia 24 de fevereiro (sexta), no circuito Barra-Ondina, e no dia 28 de fevereiro (terça), no Campo Grande. Já o cantor Moraes Moreira irá comandar a pipoca no dia 26 de fevereiro (domingo), no circuito Dodô.

O prefeito disse que as demais atrações serão anunciadas em uma outra coletiva à imprensa, que deve ocorrer em data mais aproximada do carnaval. "No carnaval 2017 vamos bater o recorde da quantidade de atrações sem cordas que vão desfilar em nossa cidade, sendo que já temos 300 atrações confirmadas, lembrando que sejam aquelas atrações diretamente patrocinadas pela prefeitura, pelo governo do estado ou mesmo pela iniciativa privada, todas elas se somam para fazer essa grande festa nas ruas de Salvador", afirma ACM Neto.

Abertura do carnaval

Já a festa de abertura do carnaval 2017 em Salvador, que será realizada em 22 de fevereiro, na Praça Municipal, contará com show de Bell Marques. A festa foi batizada de "Baile Municipal de Abertura do Carnaval", e terá como tema os antigos carnavais.

Segundo a prefeitura, antes do show de Bell Marques, um grande cortejo irá sair do Terreiro de Jesus em direção à Praça Municipal, com baianas e uma série de bandas e grupos como Olodum, Didá, Ilê Aiyê, Malê Debalê, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Muzenza, Os Mutantes, Saku Xeio e Pai Burokô.

Na Praça Municipal, as bandas encontram uma orquestra formada por 40 músicos e comandada por quatro maestros: Sérgio Benutti, Fred Dantas, Paulo Primo e Zeca Freitas.

Na ocasião, será feita uma homenagem ao artista plástico Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos), que completaria 100 anos em 2017. Após a entrega das chaves ao Rei Momo, o cantor Bell Marques se apresentará pela primeira vez no local com sucessos que marcaram a carreira e o Carnaval de Salvador.

Pré-carnaval

Antes da abertura oficial da folia baiana, duas festas de pré-carnaval ocorrem no Circuito Orlando Tapajós, entre o Clube Espanhol e o largo do Farol da Barra, no contrafluxo do Circuito Dodô (Barra/Ondina).

As festas são conhecidas como "Fuzuê" e "Furdunço". A primeira ocorre no dia 18 de fevereiro (sábado). Serão 21 atrações com bandas de sopro, percussão e batucada. O evento irá homenagear o designer Pedrinho da Rocha, conhecido por ser o criador do abadá.

O segunda dia do pré-carnaval, no dia 19 de fevereiro (domingo), será com o Furdunço, com 34 atrações já confirmadas que também irão percorrer o circuito Orlando Tapajós. Léo Santana está entre os nomes que se apresentam no Furdunço. A lista completa não foi divulgada.

Bairros e Palcos Temáticos

Além do pré-carnaval e dos circuitos tradicionais da folia, 10 locais diferentes da cidade terão palcos. São eles: Cajazeiras, Periperi, Itapuã, Liberdade, Boca do Rio, Plataforma, Centro Histórico (Praça da Cruz Caída) e nas ilhas de Maré, Bom Jesus dos Passos e dos Frades. As atrações destes bairros ainda não foram divulgadas.

Os palcos temáticos também estão na programação do carnaval. De casa nova em 2017, o Palco do Rock será realizado na Praça Wilson Lins, na Pituba, a partir das 19h. O Palco Multicultural será montado novamente no Terreiro de Jesus para receber bandas de hip hop, reggae, arrocha e demais estilos musicais, a partir das 18h. O Terreiro do Samba irá ficar na Praça da Cruz Caída, com atrações a partir das 19h.

Os espaços temáticos também marcam presença na folia em Salvador em quatro locais. A Vila Infantil vai trazer atividades para os pequenos novamente na Praça 2 de Julho (Campo Grande). As Vilas Gastronômicas estarão localizadas ao lado do Farol e na Rua Airosa Galvão, ambas na Barra, e na Rua Nossa Senhora de Fátima, em Ondina.

O Beco das Cores, na esquina da Rua Dias D’Ávila com a Avenida Oceânica, na Barra, vai trazer DJ’s ao local conhecido pela diversidade. As apresentações acontecerão nos intervalos da passagem dos blocos, das 19h à 0h. No dia 27, a Praça Castro Alves contará com o Desfile de Fantasia de Luxo e Originalidade, a partir das 19h.

Fonte:G1.Globo

 

 


O samba nasceu no século 19, da mistura de ritmos africanos

 

Publicado em Geral, por Redação em 23/12/2016

O samba nasceu na Bahia, no século 19, da mistura de ritmos africanos. No Rio de Janeiro, criou raízes e se desenvolveu.
Porém, ao longo de seu desenvolvimento, outro estado conquistou espaço no cenário do ritmo musical: São Paulo.


Entre os paulistas, o samba ganhou uma conotação de mistura de raças, com o sotaque paulistano ganhando espaço. Hoje, dezenas de bares e rodas dedicados ao ritmo espalham-se pela cidade. Confira algumas das rodas, divididas por regiões, que preservam o mais puro samba de raiz, e também dão visibilidade a novos compositores.

Fonte :Cidade de São Paulo 

 


Osvaldinho da Cuíca e a 'malandragem' Paulista do samba

 

Publicado em Geral, por Redação em 22/12/2016

Cuiqueiro comenta sobre as dificuldades enfrentadas pelo samba na capital paulista

 

 

Na esquina onde eram depositados os sonhos e manifestação do consciente coletivo do cordão Garotos do Tucuruvi, já se fazia presente, desde os preparativos para o Carnaval de 1955, um jovem engraxate vidrado no samba da malandragem da zona norte de São Paulo.

"A primeira coisa que notei no cordão do Garotos foram as cores: preto e branco. Além da paixão pelo batuque eu sou louco pelo Corinthians, aí já viu", diverte-se Osvaldinho da Cuíca em entrevista exclusiva ao Samba em Rede.

Foi assim, então, que Osvaldinho, tendo como sua referência os folguedos rurais do interior do Estado, caiu nas graças do mo­de­lo no ­qual se ins­pi­ra­riam as pri­meiras agremiações do sam­ba da cidade: os cordões carnavalescos.
 

No final da década de 1950, os desfiles pela rua executados com violões, pandeiros, chocalhos e tampinhas de cerveja eram experiências habituais no mundo destes cordões: "Sempre se fazia a batucada na porta de um bar ou uma adega, porque, se o bar estivesse ali, o combustível também estava", relembra dos espaços de convivência - muitas vezes - improvisados.

 


Nascidos dentro de um propósito de recreação e sociabilidade, os cordões apresentavam uma dinâmica particular de organização: "Não existia quadra. Você ensaiava nas esquinas e, se não tinha autorização, você incomodava a vizinhança e tinha repressão", relembra o cuiqueiro. "A gente tinha medo de entrar na cadeia por cometer, na época, o que era enquadrado no código penal como 'vadiagem'. Se você fosse preso por 'não fazer nada', mostrava que você não era malandro bom."

De acordo com o batuqueiro, o processo de oficialização das escolas de samba no Rio de Janeiro, regularizado na década de 1930, repercutiu de maneira negativa no desenvolvimento do samba peculiar produzido em São Paulo, que só regularizaria os desfiles dos cordões para a Avenida São João em 1967 e oficializaria a festa no ano seguinte.

"Em São Paulo, você trabalhava, trabalhava e só na véspera do Carnaval que a gente começava a se reunir em frente a esses bares para ver se saía alguma coisa", relembra as dificuldades enfrentadas por representantes do samba da capital paulista. "O Seu Inocêncio, do cordão Barra Funda, também era policial e o Pé Rachado, do Vai-Vai, passava semanas viajando, já que trabalhava em uma construtora."

Desde sua experiência com os cordões, a partir da década de 1950, a percussão - que Osvaldinho viu nascer no interior do Estado e ajudou a divulgar em suas andanças - está muito bem representada pela significativa carreira construída pelo músico nos anos seguintes.

Osvaldinho da Cuíca, um profissional do samba

Fonte: Catraca Livre

 

 

 


Zeca Pagodinho e Sandra de Sá estarão em camarote no Anhembi

 

Publicado em Geral, por Redação em 21/12/2016

Aos poucos, o camarote Bar Brahma divulga as atrações que vão comandar os dias de folia em São Paulo. Três atrações já estão confirmadas para o Carnaval 2017.

 

 

O sambista Zeca Pagodinho se apresentará pelo quinto ano consecutivo no Carnaval paulistano em 24 de fevereiro, primeiro dia de desfiles das escolas do Grupo Especial.

Com a banda Muleke, que o acompanha durante toda sua trajetória, ele prepara um repertório que irá mesclar canções recentes com clássicos dos mais de 30 anos de sua carreira.

A segunda atração é o "Baile do Bem" sob o comando de Sandra de Sá, no Desfile das Campeãs, em 3 de março. A cantora recebe convidados como Margareth Menezes e Serjão Loroja para cantar um repertório composto por canções de Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Ex-vocalista do Sambô, Sandamí também será atração na última noite do espaço. O cantor vai mostrar as misturas rítmicas que marcaram sua carreira, canções autorais e releituras que vão do rock ao samba, homenageando compositores e cantores brasileiros e artistas internacionais.

O camarote

Em seu 17º ano no Anhembi, o Camarote Bar Brahma deve receber 15 mil foliões entre 24 e 25 de fevereiro,  dias dos desfiles do Grupo Especial,  e 3 de março, no Desfile das Campeãs.

Convidados, celebridades, clientes e VIPs serão recebidos com serviço que inclui comidas e bebidas, além da vista privilegiada ao Sambódromo

Os ingressos já estão à venda pelo site da Total Acesso  (www.totalacesso.com) e custam de R$ 590 a R$ 1990. Os valores das entradas podem ser divididos em até 10 vezes, sem acréscimo, pelos cartões de crédito das bandeiras Visa e Mastercard.

Os foliões que forem ao camarote em grupos de quatro, cinco ou seis pessoas terão descontos especiais nas compras – de 8%, 12% e 15%, respectivamente.

Serviço:


Camarote Bar Brahma São Paulo 2017

Quando: 24 e 25 de fevereiro e 3 de março de 2017, a partir das 21h

Onde: Sambódromo do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana/SP

Quanto: R$ 590,00 a R$ 1990,00 (lote 1 – preços sujeitos a alteração com a mudança de lote)

Informações: www.totalacesso.com e (11) 3224-1287


Fonte: UOL


Liga concorre para organizar Carnaval de Rua e propõe camarote em São Paulo

 

Publicado em Geral, por Redação em 20/12/2016

A Liga das Escolas de Samba de São Paulo é uma das quatro empresas que participaram do chamamento público para organizar, em parceria com a prefeitura, o Carnaval de Rua e negociar o patrocínio oficial.

 

 

Na proposta da entidade, conforme publicado no Diário Oficial, há inclusive a previsão de camarote para o acompanhamento dos blocos. O presidente da entidade, Paulo Sérgio Ferreira, diz que está preocupado com o crescimento desorganizado do Carnaval de Rua.

“É fácil (os representantes dos blocos) irem no Facebook dizer que a Liga está se intrometendo. A Liga quer organização para não ficar como em outros estados”, diz Serginho, que criticou a informalidade dos blocos. “Noventa e nove por cento dos blocos não têm CNPJ, nem representante legal. Isso é preocupante. Se acontece algum acidente grave, quem será o responsável?”, questionou Serginho, durante a inauguração parcial da Fábrica do Samba neste sábado (17).

Na terça, os blocos de rua fizeram uma manifestação na Câmara de Vereadores e conseguiram evitar a segunda votação do projeto de Lei do vereador Aurélio Nomura (PSDB). Apelidado de “PL Quarta-Feira de Cinzas”, projeto ganhou uma emenda do vereador Milton Leite (DEM), patrono da agremiação Estrela do Terceiro Milênio, que exigia que todos os blocos tivessem CNPJ e se filiassem em associações, como a Liga da Escolas de Samba. A votação ficou para o próximo ano.

Para o presidente da Liga, as possíveis ocorrências no Carnaval de Rua poderão resvalar na imagem dos desfiles das escolas de samba. “A tendência da imprensa é generalizar o Carnaval, não separar os blocos das escolas. E, hoje, no Sambódromo temos 99% de aprovação”, observou.

No Carnaval 2016, o Carnaval de Rua já gerou mais lucros que o sambódromo. Segundo dados da prefeitura, os blocos movimentaram R$ 400 milhões, contra R$ 250 milhões que os desfiles das escolas de samba. Neste ano, se apresentaram 306 grupos. Para 2017, 495 se cadastraram para desfilar.

"Os investimentos também nos preocupam. Se é para investir no Carnaval de Rua, tem que beneficiar os blocos de São Paulo. E não vir empresários de outros estados, se aproveitarem dos altos valores dos patrocinadores e levarem o dinheiro para fora", disse Serginho, que evitou responder diretamente sobre a participação a Liga para captar patrocínio para o Carnaval.

Além da Liga, outras empresas que estão na disputa são a Organização em Comunicação e Propaganda, a SRCOM SP Entretenimento e Comunicação e a Dream Factory Comunicação, que assinou a folia em 2016 e fechou o patrocínio da Cervejaria Heineken do Brasil com seu rótulo Amstel fez um investimento estimado de R$ 4,6 milhões.

A decisão sobre o futuro patrocinador, no entanto, deve ficar para o início do próximo ano. A Dream Factory entrou com uma impugnação do chamamento, questionando a produção das demais empresas. As concorrentes devem dar detalhes sobre número de pessoas na produção, telão, trio elétrico e a organização dos palcos descentralizados. No caso da Liga, ela deve fornecer mais explicações sobre o camarote.

Fonte: UOL


Carnaval 2017 em SP: começa a venda de ingressos para os desfiles

 

Publicado em Geral, por Redação em 19/12/2016

Os desfiles acontecem nos dias 24, 25 e 26 de fevereiro no Anhembi.
Preços de arquibancada variam de R$ 30 a R$ 190.

 

A Liga de Escolas de Samba de São Paulo abriu na manhã desta quarta-feira (16) a venda de ingressos pela internet para o Carnaval de 2017. As entradas para os desfiles no Sambódromo do Anhembi podem ser adquiridas pelo site www.ingressos.ligasp.com.br.

Os desfiles do Grupo Especial acontecem nos dias 24 e 25 de fevereiro. A escolas do Grupo de Acesso passam pela avenida no dia 26 de fevereiro e, no dia 3 de março, ocorre o Desfile das Campeãs.

Os preços dos ingressos são os mesmos pelo terceiro ano consecutivo. "A gente está entendendo a situação do país e a intenção das escolas é que realmente o público compareça e encha o Sambódromo", disse o presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira.

Os valores da arquibancada, por exemplo, variam de R$ 30 (para o domingo, quando desfilam as escolas do Grupo de Acesso) a R$ 190. As cadeiras, de R$ 60 a R$ 550. E o camarote para dez pessoas sai por até R$ 12.000. Confira todos os preços na página da Liga.

A venda por enquanto é exclusiva pela internet. Os ingressos comprados online poderão ser retirados a partir de 9 de janeiro, no portão 1 do Anhembi. A bilheteria física só começa a comercializar as entradas restantes 30 dias antes do início dos desfiles.

Confira abaixo a ordem completa dos desfiles.                    

Sexta-feira, 24 de fevereiro - Grupo Especial - 1º dia
01) Tom Maior
02) Mocidade Alegre
03) Unidos de Vila Maria
04) Acadêmicos do Tatuapé
05) Gaviões da Fiel
06) Acadêmicos do Tucuruvi
07) Águia de Ouro

 

Sábado, 25 de fevereiro - Grupo Especial - 2º dia
01) Mancha Verde
02) Unidos do Peruche
03) Império de Casa Verde
04) Dragões da Real
05) Vai-Vai
06) Nenê de Vila Matilde
07) Sociedade Rosas de Ouro

 

Domingo, 26 de fevereiro - Grupo de Acesso
01) Estrela do Terceiro Milênio
02) Leandro de Itaquera
03) Camisa Verde e Branco
04) Independente Tricolor
05) X9 Paulistana
06) Imperador do Ipiranga
07) Colorado do Brás
08) Pérola Negra

 

Fonte: G1,Globo


Bloco Me aBrasa homenageia Chico Science em 2017

 

Publicado em Geral, por Redação em 16/12/2016

 Movimento Paulista com Farofa põe o Bloco Me aBrasa na rua para esquentar o Carnaval homenageando Chico Science e o movimento Mangue Beat. Os foliões saem em cortejo no sábado, dia 18 de fevereiro. A concentração tem início às 15h, na Rua Humberto I e o desfile vai das 17h às 21h. O trajeto passa pelas ruas Dr. Álvaro Alvim, Rua Rio Grande, Rua França Pinto e retorna ao ponto inicial.
 

 

O bloco Me aBrasa integra a programação oficial do Carnaval de rua da Prefeitura de São Paulo pelo quarto ano consecutivo e e a expectativa do grupo é reunir cerca de 2 mil foliões.

Da união de cinco colegas de trabalho, que têm paixão por cerveja, música e churrasco, surge o grupo Paulista com Farofa. Com o tempo, os laços de amizades da turma atravessaram fronteiras, fazendo com que um simples happy hour na Av. Paulista se transformasse em um movimento popular de uso do espaço público em prol da cultura e gastronomia.

Fonte: Catraca Livre


Carnaval no Brasil

 

Publicado em Geral, por Redação em 15/12/2016

carnaval chegou ao Brasil em meados do século XVII, sob influência das festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em alguns países, como a França, o carnaval acontecia em forma de desfiles urbanos, ou seja, os carnavalescos usavam máscaras e fantasias e saíam pelas ruas comemorando.

Certos personagens têm origem europeia, mas mesmo assim foram incorporados ao carnaval brasileiro como, por exemplo, rei momo, pierrô, colombina.

A partir desse período, os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos cortejos de automóveis (corsos) foram criados, mas só se popularizaram no começo do século XX.

As pessoas decoravam seus carros, fantasiavam-se e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades, dando origem assim aos carros alegóricos. O carnaval tornou-se mais popular no decorrer do século XX e teve um crescimento considerável que ocorreu devido às marchinhas carnavalescas (músicas que faziam o carnaval ficar mais animado).

A primeira escola de samba foi criada no dia 12 de agosto de 1928, no Rio de Janeiro, e chamava-se “Deixa Falar”, anos depois seu nome foi modificado para Estácio de Sá. Com isso, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo foram surgindo novas escolas de samba.

Organizaram-se em Ligas de Escolas de Samba e iniciaram os primeiros campeonatos para escolher qual escola era a mais bonita e a mais animada. A região nordeste permaneceu com as tradições originais do carnaval de rua, como Recife e Olinda.

Já na Bahia o carnaval fugiu da tradição, conta com trios elétricos, embalados por músicas dançantes, em especial o axé.

Veja a seguir os Estados que mais celebram o carnaval:

Rio de Janeiro



A folia carnavalesca carioca começa antes dos dias oficiais do carnaval. Já no mês de setembro começam os ensaios nas quadras das diversas escolas de samba da cidade.

No mês de dezembro a cidade já se agita com os denominados “ensaios de rua” e a mais nova criação: “ensaios técnicos”, que levam milhares de pessoas ao Sambódromo todo final de semana. Os desfiles oficiais são realizados durante a data oficial do carnaval.

Pernambuco
 

 

Milhares de pessoas saem pelas ruas de Olinda e Recife, a maioria fantasiada e ao som do frevo (ritmo marcante do Estado).

O carnaval de Pernambuco conta com dezenas de bonecos gigantes, os foliões são extremamente animados. Uma das grandes atrações é o bloco carnavalesco “Galo da Madrugada”.

Bahia
 

 

O carnaval baiano é, sem dúvida, um dos mais calorosos e animados do Brasil e do mundo. Em especial na cidade de Salvador, onde se localiza os três principais circuitos carnavalescos: Dodô, Osmar e Batatinha.

Por esses circuitos passam mais de 150 blocos organizados, cerca de 2 milhões de pessoas durante os dias de festa. Normalmente esses blocos se apresentam com os trios elétricos e com cantores famosos.
 

São Paulo
 

 

O carnaval paulista é similar ao carnaval carioca. Acontece um grande desfile das escolas de samba da cidade. O desfile ocorre em uma passarela projetada por Oscar Niemeyer.

Há o desfile do Grupo Especial e do Grupo de Acesso, que acontecem na sexta-feira e no sábado, para não haver concorrência com o desfile do Rio de Janeiro.

Fonte: UOL


Do samba ao funk: a voz dos excluídos

 

Publicado em Geral, por Redação em 05/12/2016

Gêneros musicais foram perpetuados na periferia carioca e se tornaram símbolos da cultura popular do Brasil. A "voz do morro" surgiu com o samba e se transformou ao longo do tempo.O samba surgiu há 100 anos como a voz dos pobres, dos excluídos, dos iletrados, dos negros. De lá para cá, no entanto, sofreu inúmeras mudanças, se tornou um dos mais poderosos símbolos da identidade nacional, ganhou o mundo, mas ficou mais "branco". A "voz do morro" hoje, tanto nas comunidades quanto na periferia, é o funk.

"Na época do Donga (autor de Pelo Telephone, considerado o primeiro samba), o samba era coisa de iletrados ou de semiletrados, como eram os negros da época; Pixinguinha era a exceção da exceção", explica o curador do novo Museu da Imagem e do Som (MIS), Hugo Sukman, autor de diversos livros sobre música popular.

Quando, dez anos depois, o samba se consolidou de uma forma mais parecida com a que conhecemos hoje, como a turma de sambistas do Estácio, capitaneados por Ismael Silva, ele continuava ocupando esse papel de voz dos excluídos. Neste contexto, surgiu também no Estácio, em 1928, a Deixa Falar, embrião das futuras escolas de samba, e, na sequência, compositores como Cartola e Paulo da Portela.

"Esse conceito de resistência está meio gasto, mas o samba era, sim, uma maneira de gente pobre, do morro, da favela, ganhar visibilidade social", explica Luiz Fernando Vianna, coordenador da Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, e autor de diversos livros sobre música popular. "Então existe aí um fator socioeconômico do pobre como inventor do elemento de identidade nacional. Porque eu acho que o samba é o maior elemento de identidade cultural nacional".

Nesse meio tempo, é bom lembrar, Getúlio Vargas chegou ao poder com seu projeto nacionalista e surgiu, em 1936, a Rádio Nacional. "Vargas usou a Rádio Nacional em seu projeto de nacionalização do país", lembra Vianna. "E o samba era o gênero predominante naquele momento e vira música nacional".

Mas foi também nesse período em que o samba ganhou mais força do ponto de vista comercial, quando entraram em cena nomes como Noel Rosa, Carmem Miranda e Mário Reis - todos eles brancos.

"O samba não conseguiu ter a mesma força que o jazz para a música dos Estados Unidos, nem a rumba para a música afro-cubana", afirma o compositor e escritor Nei Lopes. "Já nos seus primeiros tempos, ingressando no âmbito da indústria fonográfica, ele foi escapando das mãos de seus primitivos criadores e deixando de ser uma trincheira de resistência da cultura negra. Nem as escolas de samba, que poderiam ter representado essa força, conseguiram".

Dos anos 30 aos 50 ganhou espaço o samba-canção, que tem uma base rítmica do samba, mas é uma canção como qualquer outra - sua negritude original ainda mais diluída.

"Quando chega na bossa nova, a origem negra está bastante diluída", constata Sukman. "Nos anos 60, o samba original, negro, estava praticamente morto, espremido entre a bossa nova e o iêiêiê".

A bossa nova levou a música brasileira para o mundo, mas, na opinião dos especialistas, não o samba verdadeiro.

"O samba que efetivamente representa a música brasileira no exterior é uma forma dele originada, mas que sempre rejeitou essa filiação", sustenta Nei Lopes. "Estou falando do estilo conhecido como bossa nova. As razões disso tudo são complexas, envolvem racismo, claro, e também preconceito estético, etário etc. Mas o principal é que a sociedade brasileira é colonizada culturalmente e não deixa de sê-lo: já quis ser francesa e inglesa; hoje teima em querer ser 'transnacional'. Uma pena, não?"

O advento do golpe militar de 1964 e da ditadura que se seguiria trouxe à cena com toda força a Música Popular Brasileira de protesto, tendo como expoentes nomes de peso como Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

No entanto, num movimento paralelo, o samba de raiz voltou a ganhar força pelas mãos de Clementina de Jesus, que promoveu a volta de Ismael Silva, Cartola, Nélson Cavaquinho. Nessa época também surgiu no centro do Rio o Zicartola, o restaurante de dona Zica e Cartola, onde diversos sambistas costumavam se reunir. O show Opinião, um marco na resistência à ditadura, conseguia reunir essas vertentes musicais, nas figuras de Nara Leão e Zé Ketti.

Toda uma nova geração de sambistas surgiu a partir desses movimentos, como o próprio Nei Lopes, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, João Nogueira e, logo depois, Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho.

O fim da ditadura fez com que os tradicionais compositores das músicas de protesto da MPB se voltassem para outros projetos, enquanto a geração mais jovem, criada sob a repressão, apareceu com o rock Brasil como uma nova forma de protesto. Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso são algumas bandas desta nova fase da MPB. Simultaneamente, o movimento de resgate do samba tradicional seguiu um caminho paralelo, com Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Almir Guineto.

"Mas o samba se sofisticou, virou uma linguagem artística, que requer uma certa musicalidade, uma ligação com a poesia, se tornou menos espontâneo. O funk ocupou esse espaço da 'voz do morro', das criações espontâneas das favelas e dos subúrbios do Rio".

Fonte: Portal terra


O samba da nossa terra

 

Publicado em Geral, por Redação em 02/12/2016


O porto-alegrense Lupicínio Rodrigues (1914-1974) é, no país,o expoente maior do samba de "dor de cotovelo". Foto: Reprodução / Agencia RBS


O Rio Grande do Sul, mesmo sem estar no eixo central onde o gênero musical se formou, contribuiu para consolidá-lo na memória afetiva e no coração dos brasileiros ao longo dos últimos cem anos

O samba, que comemora neste ano o seu simbólico centenário (na verdade, do registro de Pelo telefone, de Donga e Mauro de Almeida, consagrada como a canção pioneira do gênero), tornou-se mundialmente conhecido como o mais brasileiro dos ritmos musicais. O gênero se tonaria um símbolo de "brasilidade", uma força hegemônica na construção da identidade nacional; a relação no país, porém, não é vertical, convivendo a "identidade nacional" com identidades locais, formando uma ampla diversidade cultural.

Os locais percorridos pelo samba, seja em Porto Alegre ou no Interior, constituem um circuito relevante em nossa cultura. São escolas de samba, clubes sociais negros, bares ou, ainda, parques e espaços públicos onde acontecem rodas de samba, ensaios e apresentações diversas. Tudo isso consolida um sistema próprio, em que compositores, cantores e público convivem com obras nem sempre visíveis ao grande público.

Posicionado numa zona híbrida, ladeado por dois países (Uruguai e Argentina), o Rio Grande do Sul bebeu das interferências com seus vizinhos, e influenciou-os também. O samba feito a partir do Estado é decisivo, por exemplo, para fundar gêneros como o suingue e possui pelo menos uma vertente peculiar, que é o hino de tribos carnavalescas.

Manifestação existente desde a década de 1940, as tribos apresentam características semelhantes e outras distintas às das escolas de samba. Já foram maioria em Porto Alegre, restando hoje apenas duas – Os Comanches e Guaianazes. A sua canção, chamada de hino, a cada ano representa um enredo diferente, invariavelmente de temática indígena, porém sem estar necessariamente vinculado a uma etnia ou nacionalidade. O seu canto é pungente, melancólico, apresentando também traços de indignação e resistência. Mitos e lendas da literatura ameríndia são valorizados em seu enredo e seu canto.

Outro gênero que merece destaque por sua originalidade, permanência e influência no cenário brasileiro é o suingue – também chamado de samba-rock ou balanço pelo país, com nuanças. Seus artistas centrifugaram a experiências das escolas de samba e das tribos com o rock e ritmos norte-americanos, caribenhos e dos países fronteiriços. O Grupo Pau-Brasil, formado por Bedeu, Cy, Nego Luis, Alexandre, Leco e Leleco Telles, tornou-se referência nacional na década de 1970.

No cancioneiro do samba gaúcho, a temática do amor é proeminente. A expressão maior da "dor-de-cotovelo" na música brasileira, do ex-amor traído ou irrealizado, é o porto-alegrense Lupicínio Rodrigues (1914-1974). Compôs canções que se tornaram icônicas:

"Você sabe o que é ter um amor, meu senhor / Ter loucura por uma mulher / E depois encontrar esse amor, meu senhor / Nos braços de um tipo qualquer" (Nervos de aço).

Os amores difíceis se mantêm como tópico constante na poética de compositores posteriores a Lupicínio, como Wilson Ney – possivelmente o maior sambista em atividade no Estado. Em suas canções, entre paixões não realizadas, está presente também o amor sensual, que envolve profundamente e é frontal:

"Quem vai beijar tua boca / Deitar-te na cama / Milhares de vezes dizer que te ama / E teu corpo ardente de amor sufocar" (Lá vem você).

Assim como na obra de Lupicínio, existe uma predominância da narrativa dialógica.

A exaltação à mulher, e particularmente à mulher negra, aparece com frequência. Em Negra Ângela, parceria do gaúcho Alexandre com o carioca Serginho Meriti, a negritude é destacada:

"Bela negra, negritude que fascina / Senhora, menina / Menina senhora me descontrolou".

Em Índia negra, de Bedeu (1946-1999), misturam-se diversas representações:

"Negra guerreira / Elegante gazela / Linda bailarina, princesa negra donzela".

Além do amor e da mulher, os temas mais recorrentes são análogos ao tempo e ao espaço em que se dá a vivência festiva: a noite, o fim de semana, o samba, o Carnaval. O cotidiano de trabalho, ou a crítica social, poucas vezes aparecem, tampouco a "malandragem". Nesse universo mais festivo, a relação com a "musa" também se transforma: o amor é representado de maneira mais leve, alegre, sobretudo nas canções ligadas ao suingue.

O samba e a noite são elementos importantes na obra de artistas como Túlio Piva (1915-1993). Suas canções Pandeiro de prata e Tem que ter mulata são tipos significativos da temática. Em Gente da noite, a vida boêmia é exaltada:

"Gente que canta e que chora / Chora de saudade / Quando a noite vai embora".

O fazer samba está presente também na poética de Nêgo Izolino, outro expoente do gênero, em atividade:

"Samba é / Um beija-flor colhendo o pólen de lindas flores" (Cantar samba é).

Já o Carnaval, além de tema habitual nos sambas-enredos, tem canções que se tornaram antológicas, como Dou a fantasia, de Wilson Ney:

"Vem sambar / Nessas três noites de folia /Se há problemas meu amor / Pode vir que eu dou a fantasia".

Mesmo sem estar no eixo central onde o samba se formou, as contribuições dos artistas gaúchos para o gênero foram bastante significativas e ajudaram a consolidá-lo na memória afetiva e no coração dos brasileiros ao longo dos últimos cem anos. 

Fonte: Zero hora


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