Publicado por Redação em Carnaval do Rio | 21/12/2016 às 14:04:52


Arthur Franco treina técnicas de ópera para puxar o samba da Imperatriz, no Rio


Cantor de banda e de corais, ele teve primeiro contato com samba em 2008.Ele comemora duas estreias: Como voz oficial da Imperatriz e num desfile do Grupo Especial, na Sapucaí.

 

Aos 48 anos de idade, Arthur Franco, se sente como um menino em sua primeira apresentação na escola. Afinal, ele está estreando como intérprete no Grupo Especial no carnaval de 2017. Ele vai ser a principal voz da Imperatriz Leopoldinense, na Sapucaí, no Rio.

Embora novato como titular, Franco, que já atuou como tenor, se prepara com técnicas de respiração e resistência que aprendeu na ópera, para levar a escola de Ramos às notas mais altas. Dos jurados, no desfile.

Tendo como inspiração o canto de outros intérpretes, como Jamelão, Haroldo Melodia, Wander Pires, Dominguinhos, a energia de Ito Melodia, da União da Ilha do Governador, e a alegria e domínio cênico de Emerson Dias, da Acadêmicos do Grande Rio, Arthur Franco tratou logo de criar a sua marca. Ou melhor, o seu grito de guerra.

Quando ouvirem: “Alô, família leopoldinense. Agora é no amor, na raça e no talento. Suinga minha bateria. Explode minha Imperatriz”, saibam que é Arthur Franco que está comandando o canto dos componentes da verde-e-branco de Ramos.

“É importante ter um grito de guerra para chamar a comunidade, empolgar os componentes, dar ritmo ao canto”, explica Franco.

O músico, que era tecladista e vocalista de uma banda que tocava em casas noturnas do Rio, já está na Imperatriz desde 2015. Primeiro, foi apoio de Nego, no ano seguinte, de Marquinho Art’Samba, no carro de som da escola.

Franco, que cantava rock e MPB com a banda, foi tenor da ópera “Carmen”, numa apresentação da Associação Cristã dos Moços (ACM) e regia os corais da Aeronáutica, Vox Intacta e o comunitário Vozes do Alto, desde 2009 vem se aprimorando em samba em escolas dos grupos de acesso.

E conta como, de repente foi da night para o samba, da ópera para o carnaval.

“Sempre aproveitava para viajar e descansar no carnaval. Em 2008, um amigo me pediu para ajudar a produzir um CD demo para disputar o samba da Mocidade de Vicente de Carvalho.

No dia da gravação, o cantor faltou e eu gravei o samba. O pessoal achou que minha voz era uma mistura de Rixxah e Wantuir e gostou. Fui convidado para puxar o samba naquele ano, mas não aceitei.

Os convites continuaram e eu recusava, recusava, até que no ano seguinte topei o desafio e puxei o samba da escola”, conta o intérprete, que ainda mantém o projeto pessoal Vozes do Alto, com moradores de comunidades do Alto da Boa Vista, na Zona Norte.

Daí, em diante, passar da banda à bateria foi um pulo. Em 2010, convidado por Jorginho do Império, foi apoio de Clemilson Silva, no Império Serrano. Nos dois anos seguintes foi puxador da Mocidade de Vicente de Carvalho, e em 2012 foi apoio na Renascer de Jacarepaguá.

Em 2013 voltou ao Império para ser apoio de Nego. No carnaval seguinte interpretou o antológico “Os sertões”, na Em Cima da Hora. Em 2015 ingressou no na Imperatriz, como apoio do intérprete oficial.

“Antes, não torcia por nenhuma escola de samba. Mas fui tão bem recebido, acolhido pela direção da Imperatriz, que virei torcedor. Mais do que isso, agora sou o intérprete oficial, pela primeira vez, de uma escola do Grupo Especial. E minha responsabilidade de manter o canto da escola é muito maior. Meu primeiro teste de fogo foi a gravação do CD das escolas de samba.

Agora, estou me preparando com uma fonoaudióloga, e aplicando técnicas de respiração que aprendi na ópera, para aguentar a hora e meia de desfile na avenida. Estou ansioso para entrar na Sapucaí e ajudar a Imperatriz a fazer bonito no carnaval”, diz Arthur Franco.

Fonte: G1.Globo

 

 


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